Montaste o teu evento, tens o cartaz fechado, o recinto confirmado e a equipa pronta. Agora é altura de vender bilhetes. E aqui surge a pergunta que nenhum promotor deveria ignorar: quanto me vai custar cada bilhete que venda? Porque as comissões das plataformas de bilhética podem comer entre 5% e 15% da tua faturação sem que te apercebas.
O problema não é apenas a comissão visível. É tudo o que vem por baixo: despesas de processamento de pagamento, encargos por transferência, penalizações por devoluções e custos ocultos que só descobres quando recebes a liquidação. Se vendes 5.000 bilhetes a 30 euros, a diferença entre uma plataforma que cobra 4% e outra que cobra 10% são 9.000 euros. Dinheiro que poderia ir para produção, artistas ou marketing.
Neste guia vais encontrar um comparativo honesto das comissões das principais plataformas de bilhética em Portugal em 2026. Sem letras miudinhas, com exemplos reais e com uma tabela que te permitirá calcular exatamente quanto vais pagar por cada bilhete vendido.
Como funcionam as comissões nas plataformas de bilhética?
Antes de comparar plataformas, precisas de entender a estrutura de custos. A maioria dos serviços de venda de bilhetes combina vários tipos de encargos que se aplicam de forma distinta.
Comissão por serviço (service fee)
É a percentagem que a plataforma cobra sobre o preço de cada bilhete vendido. Pode ser uma percentagem fixa (por exemplo, 5%), um montante fixo por bilhete (0,99 euros), ou uma combinação de ambos (3% + 0,50 euros). Este é o custo mais visível e o que costuma aparecer nas páginas de preços.
Comissão de processamento de pagamento
Cada vez que um comprador paga com cartão de crédito, débito ou qualquer método eletrónico, há um custo de processamento. Os processadores de pagamento como o Stripe ou a Adyen cobram tipicamente entre 1,4% e 2,9% mais um valor fixo por transação (0,25-0,30 euros). Algumas plataformas absorvem este custo na sua comissão principal; outras cobram-no à parte.
Quem paga: promotor ou comprador
Este detalhe muda radicalmente a equação. Se as comissões são absorvidas pelo promotor, o preço que o comprador vê é limpo, mas a tua margem reduz-se. Se as paga o comprador, as tuas receitas mantêm-se, mas o preço final do bilhete sobe e pode afetar a conversão. Cada plataforma tem o seu modelo por defeito, embora muitas permitam escolher.
Outros custos que não aparecem na capa
Liquidações com atraso (o teu dinheiro retido durante dias ou semanas), encargos por reembolsos (a plataforma fica com a sua comissão mesmo que devolvas o dinheiro), taxas por transferência bancária, e em alguns casos comissões por imprimir bilhetes na bilheteira ou por usar funcionalidades premium como pricing dinâmico ou lugares reservados.
Eventbrite: o padrão do mercado
A Eventbrite é provavelmente a plataforma mais conhecida para eventos de pequena e média dimensão. A sua penetração em Portugal cresceu muito nos últimos anos, especialmente em conferências, workshops e eventos culturais.
Estrutura de comissões Eventbrite 2026
A Eventbrite cobra 6,95% + 0,99 euros por bilhete vendido no seu plano padrão. Para eventos gratuitos não há custo. O plano Professional sobe para 9,95% + 0,99 euros, mas inclui funcionalidades adicionais como páginas personalizadas e maior suporte.
Para um bilhete de 30 euros, a comissão padrão seria: 30 × 0,0695 + 0,99 = 3,08 euros por bilhete. Isso é 10,2% do preço do bilhete. Num evento de 2.000 bilhetes, falamos de mais de 6.000 euros em comissões só de venda.
Vantagens e limitações
A Eventbrite tem um marketplace com tráfego orgânico que pode trazer visibilidade, especialmente para eventos abertos ao público geral. A plataforma é intuitiva e permite começar a vender em minutos. No entanto, para promotores profissionais com volumes elevados, o custo acumulado torna-se difícil de justificar. Além disso, a personalização da experiência de compra é limitada e o branding da Eventbrite aparece de forma proeminente.
Ticketmaster: o gigante da bilhética
A Ticketmaster domina o segmento dos grandes eventos: digressões de artistas internacionais, festivais de grande formato e recintos permanentes. A sua posição de mercado permite-lhe negociar condições muito diferentes consoante o cliente.
Estrutura de comissões Ticketmaster 2026
A Ticketmaster não publica as suas tarifas de forma aberta. As comissões negoceiam-se caso a caso e dependem do volume, do tipo de evento e da relação comercial. Os compradores costumam ver um encargo por serviço que oscila entre 3 e 8 euros por bilhete, mas a estrutura real inclui múltiplas camadas.
Para o comprador final, um bilhete de 50 euros pode acabar por custar entre 56 e 62 euros. Para o promotor, as condições variam enormemente: desde acordos em que a Ticketmaster assume risco em troca de exclusividade, até modelos de distribuição pura em que o promotor paga uma fee fixa por bilhete processado.
O fator exclusividade
O maior custo de trabalhar com a Ticketmaster nem sempre é a comissão direta. Os contratos de exclusividade com recintos significam que, se o teu evento se realiza num recinto associado, não tens escolha de plataforma. Além disso, os prazos de liquidação podem ser de 5 a 15 dias úteis após o evento, o que afeta a tua tesouraria.
Dice: o modelo "sem comissão visível"
A Dice posicionou-se como a plataforma que não cobra comissões ao comprador. O preço que vês é o preço que pagas. Soa muito bem, mas o custo existe e é o promotor que o assume.
Estrutura de comissões Dice 2026
A Dice cobra ao promotor uma fee que geralmente oscila entre 8% e 12% sobre o preço do bilhete, dependendo do acordo. Este modelo tem a vantagem de o preço para o público ser limpo e redondo, o que melhora a perceção de valor e pode aumentar a conversão.
Para um bilhete de 30 euros com uma fee de 10%, a Dice retém 3 euros. O promotor recebe 27 euros por bilhete. A diferença em relação a outras plataformas onde o comprador paga o extra é que aqui o promotor assume diretamente o custo.
Vantagens do modelo Dice
O sistema anti-revenda da Dice (os bilhetes só se transferem dentro da app) é um dos mais eficazes do mercado. Se a revenda é uma preocupação para ti, consulta o nosso guia sobre como controlar a revenda de bilhetes. A experiência do comprador é excelente: app limpa, sem surpresas no checkout, e um sistema de lista de espera que funciona bem. Para promotores de música eletrónica e eventos culturais urbanos, a Dice tem uma base de utilizadores muito fiel.
Fever: o marketplace de experiências
A Fever cresceu com força em Portugal, especialmente em experiências imersivas, atividades e eventos de lazer. O seu modelo combina marketplace e bilhética, o que a diferencia das plataformas tradicionais.
Estrutura de comissões Fever 2026
A Fever opera com um modelo variável que tipicamente se situa entre 15% e 30% do preço do bilhete, dependendo do tipo de evento e do nível de promoção que a Fever proporciona. Em contrapartida, a Fever investe em publicidade para encher o evento e contribui com a sua própria base de dados de utilizadores.
O custo é significativamente mais elevado do que o de outras plataformas, mas o modelo é diferente: a Fever não é apenas um canal de venda, mas um parceiro de distribuição. Se o teu evento precisa de visibilidade e não tens orçamento de marketing próprio, o custo pode ser compensado pelas vendas que a Fever gera por conta própria.
Quando faz sentido a Fever
Para experiências recorrentes (escape rooms, exposições imersivas, tours gastronómicos) onde o volume de público provém maioritariamente do marketplace da Fever, o modelo funciona. Para festivais ou concertos onde já tens a tua própria audiência, a percentagem é difícil de justificar.
Futura Tickets: comissões transparentes para promotores profissionais
A Futura Tickets trabalha com um modelo de comissões que oscila entre 3% e 5% consoante o plano contratado. Sem custos ocultos, sem letras miudinhas. O processamento de pagamento está incluído na comissão.
O que inclui a comissão
Cada plano inclui dashboard de analytics em tempo real, controlo de acessos com QR dinâmico, gestão de lotação, ferramentas de marketing (códigos promocionais, early bird automatizado) e suporte dedicado. Podes consultar todos os detalhes na página de preços.
A liquidação é realizada num máximo de 48 horas após o evento, o que melhora significativamente a tesouraria comparado com plataformas que retêm o dinheiro entre 5 e 15 dias.
Tabela comparativa: custo real por bilhete vendido
Aqui tens a discriminação de quanto custa vender um bilhete em cada plataforma. Os valores incluem a comissão de serviço e, onde aplicável, o processamento de pagamento. Usámos três preços de referência: um bilhete económico (10 euros), um médio (30 euros) e um premium (50 euros).
| Plataforma | Modelo de comissão | Bilhete de 10 € | Bilhete de 30 € | Bilhete de 50 € |
|---|---|---|---|---|
| Eventbrite | 6,95% + 0,99 € | 1,69 € (16,9%) | 3,08 € (10,2%) | 4,47 € (8,9%) |
| Ticketmaster | Negociável (estimado) | ~1,50 € (15%) | ~3,50 € (11,7%) | ~5,50 € (11%) |
| Dice | ~10% ao promotor | 1,00 € (10%) | 3,00 € (10%) | 5,00 € (10%) |
| Fever | 15-30% ao promotor | 1,50–3,00 € | 4,50–9,00 € | 7,50–15,00 € |
| Futura Tickets | 3-5% tudo incluído | 0,30–0,50 € (3-5%) | 0,90–1,50 € (3-5%) | 1,50–2,50 € (3-5%) |
Para um evento de 3.000 bilhetes a 30 euros (90.000 euros de faturação bruta), a diferença em comissões seria:
- Eventbrite: 9.240 euros
- Ticketmaster: ~10.500 euros (estimado)
- Dice: 9.000 euros
- Fever: 13.500–27.000 euros
- Futura Tickets: 2.700–4.500 euros
A diferença entre a opção mais cara e a mais económica pode ultrapassar os 20.000 euros num único evento.
Custos ocultos que não aparecem no comparativo
Para além das comissões por bilhete, há custos que muitos promotores descobrem demasiado tarde. Estas despesas adicionais podem somar 2-5% extra sobre a tua faturação total.
Processamento de pagamentos
Algumas plataformas mostram a sua comissão *sem incluir* o custo de processamento de pagamento. O Stripe cobra 1,5% + 0,25 euros na Europa para cartões europeus, e até 3,25% para cartões internacionais. Se a plataforma não absorve este custo, soma-o à comissão base.
Chargebacks e disputas
Quando um comprador disputa um pagamento com o seu banco, a plataforma de pagamento cobra uma fee de entre 15 e 25 euros por cada chargeback, ganhes ou percas a disputa. Em eventos grandes, os chargebacks podem representar entre 0,5% e 2% das transações. Uma taxa de 1% num evento de 5.000 bilhetes a 30 euros significa 50 disputas potenciais e até 1.250 euros em fees de chargeback.
Reembolsos: quem perde
Quando cancelas um evento ou um comprador solicita um reembolso, a plataforma devolve-te a sua comissão? Na maioria dos casos, não. A Eventbrite retém a sua comissão de serviço mesmo em reembolsos. Isto significa que não só perdes a venda, como pagas por uma transação que afinal não se concretizou. É um custo que pode ser muito significativo em eventos com taxas de cancelamento elevadas.
Retenção de fundos e liquidação
O timing dos pagamentos afeta diretamente a tua capacidade de cobrir as despesas de produção. Se a plataforma retém o dinheiro até depois do evento (como faz a Ticketmaster em muitos casos), terás de financiar a produção do teu bolso ou com linhas de crédito. Esse custo financeiro não aparece em nenhuma tabela comparativa, mas é real.
Como escolher a plataforma certa consoante o teu tipo de evento
Não existe uma resposta universal. A melhor plataforma depende da tua situação concreta.
Eventos pequenos (menos de 500 bilhetes)
Para um workshop, uma conferência ou um evento corporativo pequeno, a facilidade de utilização e a rapidez de arranque costumam pesar mais do que a comissão. Um evento de 200 bilhetes a 20 euros gera 4.000 euros; a diferença entre 5% e 10% de comissão são 200 euros. Neste intervalo, prioriza a experiência do comprador e as funcionalidades de que precisas.
Eventos médios (500-5.000 bilhetes)
É aqui que as comissões começam a doer a sério. Um festival de 3.000 bilhetes a 40 euros fatura 120.000 euros. 3% são 3.600 euros; 10% são 12.000 euros. Neste intervalo, negociar a comissão ou escolher uma plataforma com tarifas competitivas tem um impacto direto na tua conta de resultados.
Eventos grandes (mais de 5.000 bilhetes)
Com volumes elevados, a negociação é obrigatória. As grandes plataformas oferecem descontos por volume e condições personalizadas. Mas também deves avaliar fatores como a estabilidade da plataforma durante picos de venda (on-sales massivos), a integração com o teu sistema de controlo de acessos e a qualidade do reporting.
O que deverias perguntar antes de assinar com uma plataforma
Antes de te comprometeres com uma plataforma de bilhética, há perguntas que muitos promotores não fazem e deveriam fazer.
Sobre custos reais
- A comissão inclui o processamento de pagamento ou é cobrado à parte?
- O que acontece à comissão se houver um reembolso?
- Há custos por funcionalidades extra (lugares reservados, pricing dinâmico, relatórios avançados)?
- Qual é a fee por chargeback?
- Há custo mínimo mensal ou compromisso de permanência?
Sobre liquidação e pagamentos
- Quando recebo o dinheiro das vendas?
- Posso receber adiantamentos parciais antes do evento?
- Em que divisa se liquida e há comissão de câmbio?
- O que acontece ao dinheiro se cancelar o evento?
Sobre controlo e dados
- Tenho acesso aos dados dos compradores (nome, email)?
- Posso exportar a base de dados de participantes?
- A plataforma vai contactar os meus compradores para promover outros eventos?
- Posso integrar a venda no meu próprio site ou sou obrigado a usar o deles?
Quem deve pagar a comissão: tu ou o comprador?
Esta é uma das decisões mais estratégicas que podes tomar, e não tem uma resposta óbvia.
Modelo "absorver" (o promotor paga)
Se absorves a comissão, o preço que o comprador vê é limpo. Um bilhete de 30 euros custa exatamente 30 euros. A vantagem é uma melhor experiência de compra e menos fricção no checkout. A desvantagem é que a tua margem reduz-se. Se trabalhas com uma comissão de 5%, recebes 28,50 euros por cada bilhete de 30.
Modelo "pass-through" (o comprador paga)
Se repercutes a comissão no comprador, tu recebes os 30 euros íntegros e o comprador paga 31,50 euros (com 5%). A vantagem é que proteges a tua margem. A desvantagem é que o preço final sobe e, em mercados sensíveis ao preço, pode afetar a conversão. Além disso, os encargos adicionais no checkout são uma das principais causas de abandono de carrinho.
O modelo híbrido
Alguns promotores optam por um modelo intermédio: absorvem parte da comissão e repercutem outra parte. Por exemplo, com uma comissão de 5%, absorvem 2% e repercutem 3%. O preço final sobe menos e o impacto na margem é moderado.
O custo real da bilhética vai além da comissão
Quando avalias quanto custa vender bilhetes online, a comissão por bilhete é apenas uma parte da equação. O custo total inclui o tempo que dedicas a gerir a plataforma, a qualidade dos dados que recebes para tomar decisões, a rapidez de liquidação e o impacto na experiência de compra dos teus participantes.
Uma plataforma barata que te dá dados pobres, liquida tarde e oferece uma experiência de compra medíocre pode custar-te mais do que uma plataforma com comissões um pouco mais altas mas que te poupa tempo, te dá insights acionáveis e converte melhor.
Conclusão
As comissões de bilhética são um custo direto sobre a tua faturação que merece tanta atenção como o cachê dos artistas ou o aluguer do recinto. A diferença entre plataformas pode representar milhares ou dezenas de milhares de euros num único evento.
Faz as contas com os teus números reais. Pergunta pelos custos ocultos. Negoceia. E sobretudo, escolhe uma plataforma que te dê transparência total sobre o que estás a pagar. A tua margem vai agradecer-te.
Se queres ver exatamente quanto pagarias com cada plano, consulta a nossa página de preços com a discriminação completa e sem surpresas.