Um festival de K-pop cancelado três dias antes de começar deixou os compradores à espera de uma devolução que não chegou por inteiro. O regulador polonês abriu um processo para apurar quanto faltava e acabou levando o caso ao Ministério Público.
O que aconteceu
O SOUND IN COLORS x K-POP EXPOSÉ estava previsto para os dias 15 e 16 de agosto de 2026 no TAURON Park Śląski, em Chorzów. Foi cancelado em 12 de agosto, três dias antes da abertura, depois que as agências de vários artistas anunciaram a desistência de seus representados; entre as baixas estava o grupo ATEEZ.
Em meados de agosto, os organizadores anunciaram que devolveriam o valor em 30 dias, pelo mesmo meio de pagamento. O prazo venceu e parte dos compradores continuava sem receber.
A UOKiK, autoridade polonesa de concorrência e defesa do consumidor, abriu em 7 de setembro de 2026 um «postępowanie wyjaśniające» — procedimento de investigação preliminar — para apurar como estava o processo de devoluções, quantos compradores ainda esperavam e qual valor deveria ser devolvido. Em 28 de setembro, encaminhou as informações ao Ministério Público Regional de Łódź para avaliar se houve estelionato.
O innPoland acrescenta que, em 10 de agosto, antes mesmo do cancelamento, a UOKiK já havia pedido explicações e documentação sobre a organização do evento e a venda das entradas. Segundo a WP Finanse, em 7 de setembro o órgão já havia recebido mais de 110 reclamações de consumidores, o encaminhamento ao Ministério Público foi feito para avaliar um possível crime de estelionato previsto no artigo 286 do Código Penal polonês, e a empresa responsável pela parte polonesa, que operava sob a marca K-POP EXPOSÉ, é a Tower Group Communications, sediada em Łódź. O mesmo veículo estima cerca de 1,69 milhão de zlótis sem devolução, mas com base em uma pesquisa própria com 1.431 participantes: não é um dado oficial da UOKiK.
Não há sanção. O que existe é um procedimento de investigação preliminar aberto e um encaminhamento ao Ministério Público para avaliação.
Por que isso importa
Isso é contado como um caso de consumo, e de fato é. Visto do lado da organização, é outra história. Em um festival, o dinheiro das entradas entra meses antes do evento, e os gastos de produção são comprometidos nesse mesmo período — por isso um cancelamento com três dias de antecedência não deixa um problema de atendimento ao cliente: deixa um problema de caixa. Isso explica por que a primeira coisa que a UOKiK precisou investigar foi quanto se devia, já que o valor não estava estabelecido.
O detalhe revelador é o do dia 10 de agosto. O regulador já estava pedindo documentação antes de o festival ser cancelado: quando a desistência dos artistas se torna pública, o processo de consumo não espera pelo descumprimento.
E o gatilho final não foi administrativo. Vencido o prazo de devolução, o que restou foi a via penal. É o extremo oposto do processo da UOKiK contra a Live Nation: lá se discutiam as cláusulas do regulamento de venda; aqui, é se o dinheiro ainda existe. Para quem organiza na Polônia, isso se decide antes — na licença de impreza masowa e em uma política de devoluções que diga quem paga, com que respaldo e em que prazo.