A RAI Amsterdam e a Koninklijke Jaarbeurs fecharam 2025 com cerca de 3,8 milhões de visitantes, segundo a nossa soma dos respetivos relatórios anuais. Nenhuma das duas explica o que se passa à entrada: numa feira profissional não se entra com um bilhete normal.
O que dizem os dois relatórios
A RAI Amsterdam publicou os seus resultados a 30 de abril de 2026: 172 milhões de euros de faturação, a maior da sua história num ano ímpar — os anos ímpares reúnem menos eventos do que os pares — e 14 % acima de 2023. EBITDA de 29,7 milhões, lucro líquido de 9, mais de 280 eventos e quase 1,5 milhões de visitantes.
O Jaarverslag 2025 da Koninklijke Jaarbeurs regista 2.364 feiras, congressos e reuniões e 2,3 milhões de visitantes, os mesmos que em 2024. A faturação líquida subiu 29 %, de 92,9 para 120,1 milhões, e ainda assim não é recorde: em 2023 foram 134,8. O EBITDA caiu de 87,4 para 20,0 milhões, e o relatório atribui isso em parte às receitas da venda de 70 % da VNU Exhibitions Asia, concluída em fevereiro de 2024.
Os 3,8 milhões são a nossa soma dos dois relatórios, não um dado publicado: são visitas, não pessoas distintas, e não só de feiras — a RAI conta todos os seus eventos e a Jaarbeurs, congressos e reuniões.
Como se entra: o caso Horecava
A Horecava, a feira de hotelaria e restauração organizada pela RAI Amsterdam, decorre de 11 a 14 de janeiro de 2027. A sua página de bilhetes quase não vende: a visita é gratuita para o público-alvo — hotelaria e restauração, fastservice, catering, alojamento e lazer. A organização envia um código de convite em meados de novembro a quem se enquadra nesse perfil; quem se enquadra e não o recebe pode pedi-lo, ou consegui-lo através de um expositor que seja seu fornecedor.
A FAQ de registo detalha o resto. O cartão de convite não é o bilhete: é preciso confirmá-lo no site com o código, e só então chegam por e-mail a confirmação e o e-ticket. Fica em nome do visitante, não é transmissível e à entrada verifica-se um documento de identificação. É válido para os quatro dias de feira. Para quem não se enquadra no perfil, a FAQ fixa o bilhete em 95,00 euros sem IVA, mas esse parágrafo ainda fala de edições anteriores, pelo que não é um preço confirmado para 2027. É o caso comprovado, não o modelo de todas as feiras.
Porque é que isto importa
O sistema não vende bilhetes: filtra visitantes. Quase tudo acontece antes da entrada — levantar o registo, distribuir códigos, validar perfis — e à entrada só se verifica a identidade. O canal de distribuição não é um checkout, são os expositores. E a unidade não é um bilhete de um dia, mas um passe de quatro. É o ticketing de eventos profissionais levado ao extremo. Em julho de 2025, a Jaarbeurs lançou a sua própria plataforma, Visit, que reúne planeamento, comunicação e registo dos eventos dos seus clientes. Uma ferramenta pensada para concertos não se encaixa aqui tal e qual.
O que fazer com isto
Três verificações:
Códigos com dono. Se os expositores distribuem acessos, é preciso saber quantos tem cada um, quantos foram usados e quem entrou.
Mudança de titular. O bilhete nominativo com verificação de documento à entrada obriga a resolver o caso do visitante que manda um colega no seu lugar. É política de controlo de acessos, não uma casinha a marcar.
Passe de quatro dias. O mesmo código lido durante quatro dias não pode ser interpretado como duplicado nem bloquear a reentrada.