A DGARTES encerrou a 6 de outubro o prazo dos seis concursos do novo apoio sustentado, o programa com que Portugal financia as suas estruturas artísticas até 2030. À música e ópera cabem 10,92 milhões de euros dos 72,84 que esses concursos repartem.
O que aconteceu
A Direção-Geral das Artes vai investir 191,56 milhões de euros no ciclo de apoio sustentado 2027-2030. O valor divide-se em duas partes: 118,72 milhões para renovar 125 contratos de apoio sustentado quadrienal e 72,84 milhões para os seis concursos novos, nas modalidades bienal e quadrienal. As candidaturas estiveram abertas até 6 de outubro de 2026; o anúncio da DGARTES foi publicado a 24 de agosto e atualizado a 1 de outubro.
Os planos de atividade da modalidade bienal cobrem de 1 de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2028. Os da quadrienal, de 1 de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2030.
Eis a repartição por áreas, com os nomes oficiais de cada concurso. Os subtotais por modalidade são soma nossa.
| Área | Total | Bienal | Quadrienal |
|---|---|---|---|
| Teatro | 20,58 M€ | 11,1 M€ | 9,48 M€ |
| Programação | 18 M€ | 9,72 M€ | 8,28 M€ |
| Música e ópera | 10,92 M€ | 5,88 M€ | 5,04 M€ |
| Cruzamento disciplinar, circo, arte de rua e artes digitais | 8,94 M€ | 4,86 M€ | 4,08 M€ |
| Artes visuais | 7,74 M€ | 4,14 M€ | 3,6 M€ |
| Dança | 6,66 M€ | 3,54 M€ | 3,12 M€ |
| Total a concurso | 72,84 M€ | 39,24 M€ | 33,6 M€ |
Dentro da parte bienal de música e ópera, 5,88 milhões, 4,44 vão para projetos de música e 1,44 para ópera.
A repartição, em percentagens
As contas que se seguem são nossas, feitas sobre esses valores. Os 118,72 milhões das renovações são 62 % do ciclo: dinheiro já comprometido antes de se resolver qualquer concurso. Nos concursos estava em jogo o restante 38 %.
Desse dinheiro a concurso, música e ópera levam 15 %. Equivale a 53 % dos 20,58 milhões de teatro. A ópera fica ainda mais abaixo: os seus 1,44 milhões são 24 % da bolsa bienal que partilha com a música.
Portugal não é um caso isolado: também cobrimos o corte de subsídios culturais na Flandres e o apoio do CNM a festivais na França. O que nenhuma das duas fontes publica ainda é o calendário de resultados, e é a única coisa que vai transformar estas percentagens em nomes próprios.
O que verificar
Se programas em Portugal com estruturas deste ciclo, duas verificações. A primeira, com que modalidade trabalha a entidade que te contrata: um plano bienal cobre 2027 e 2028, um quadrienal chega a 2030, e isso marca o horizonte com que se assina uma tournée ou uma residência. A segunda, que o apoio sustentado não é a única via: em 2026 a DGARTES apoiou 77 projetos de música e ópera com 2,195 milhões de euros através do Programa de Apoio a Projetos, um instrumento diferente.
O dinheiro público não altera as obrigações de bilheteira. Para isso convém rever a lei portuguesa dos espetáculos e o reembolso de comissões e como se vende um bilhete em Portugal.
